Os Livros e Poesias de Língua Portuguesa Mais Famosos

A literatura portuguesa está repleta de valiosíssimas obras de prosa e poesia mas é impossível referi-las a todas. Algumas destas obras de prosa e poesia mais famosas são doces e de estética refinada, outras são duras e acutilantes na sua crítica ao homem e à sociedade. Umas com maior ou menor exposição mas todas promovendo orgulhosamente a língua materna além-fronteiras.

O nascimento da literatura portuguesa remonta aos séculos XII e XIII e caracterizava-se essencialmente por canções (cantigas) simples, breves e interpretadas por trovadores. As chamadas Cantigas de Escárnio e Maldizer, as Cantigas de Amigo e as Cantigas de Amor, eram essencialmente redigidas em galego-português e eram compiladas sob a forma de Cancioneiros, muitas vezes feitas por encomenda para satisfazer as necessidades e os desejos da nobreza ou clero. A mencionar obrigatoriamente está o Cancioneiro da Ajuda e oCancioneiro da Vaticana. O século XI ao XIV levou a algumas obras de grande relevância histórica, como é o caso da Crónica do Infante Santo D. Fernando ou a Crónica de El-Rei D. Pedro pela mão de Fernão Lopes (um dos maiores escritores do Humanismo).

Antes da palavra escrita existia a palavra oral, esta era repleta de rimas e versos de métrica clara para ajudar na memorização da mensagem e assim facilitar a sua transmissão oral de geração para geração. Portanto, não é de estranhar que os primeiros cancioneiros e prosas tivessem sido fortemente inspirados por esta forma de contar histórias. Surgiram assim as crónicas, os livros de linhagem, e os livros de ensino como os de Direito e Medicina. Muitos são os autores que ficarão para sempre no anonimato, autores responsáveis pelo nosso conhecimento actual de épocas, viveres e saberes há muito desaparecidos.

Se o período medieval da reconquista cristã viu surgir uma produção literária e poética de cariz peculiar, já o renascimento levou ao aprimoramento e riqueza da sua estrutura bem como ao aprofundamento da natureza humana e viu nascer autores ricos em lirismo, em melancolia, em retórica, homens de teatro e das artes, que abordam pela primeira vez temas como a Morte, a Sorte e a Fortuna. A marcar este período encontram-se obras como Os Lusíadas ou Rimas (Camões), a Trilogia das Barcas e o Auto da Índia (Gil Vicente). O Cancioneiro Geral, datado do início do século XVI, é a grande obra de Garcia de Resende que irá reunir exemplos da poesia realizada, clássicos como a Tragédia de Inês Pereira ou os Poemas Lusitanos do grande António Ferreira, para não esquecer o grande poeta Sá de Miranda, simplesmente aquele escritor mais lido a seguir ao grande Camões. É aliás a partir deste século, que a literatura e a poesia portuguesa ganham novas dimensões. Em plena era dos descobrimentos, surgem movimentos artísticos que marcarão os seguintes, primeiramente o Maneirismo, logo de seguida o Barroco e, finalmente, o Neoclassicismo já em pleno século XIX e XX. Como tal, existem obras que devem ser mencionadas pela sua relevância, tais como o Sermão de Santo António aos Peixes pela mão do Padre António Vieira (o grande orador e escritor do dramático Barroco); em Portugal as ideias Iluministas da Pavorosa Ilusão e da Elegia de Bocage, em pleno Neoclássico e no Brasil, a belíssima poesia arcádica de Tomás António Gonzaga.

E finalmente o século XX vê nascer e crescer talentosos poetas e escritores e grandes obras como o Livro de Mágoas de Florbela Espanca, O Castelo Surrealista de Mário Cesariny, Os Bichos de Miguel Torga, a Ode Triunfal de Álvaro de Campos ou Fernando Pessoa, ou o Evangelho Segundo Jesus Cristo escrito pela mão de José Saramago, o escritor que recebeu o primeiro e único Prémio Nobel da História da Literatura Portuguesa.